Magic.


Ela mexia as perninhas, enquanto olhava para o móbile dependurado em seu berço. Bruna encarava aqueles unicórnios que balançavam e brilhavam conforme a luz batia. Eles eram transparentes, mas havia momentos que pareciam ter todas as cores do arco-íris. Ela esticou um bracinho na esperança de alcançá-los, mas eles estavam muito distantes. Então ela começou a se sentir entediada, a casa estava em completo silêncio e não havia nada para fazer.

Sobre alguém especial.


- Alô? - Bárbara atendeu o telefone que tocava escandalosamente.
- Oi! - Alice a saudou do outro lado da linha.
- Olha, quem é vivo sempre aparece!
- Nem faz tanto tempo assim - Alice resmungou. - Te liguei no seu aniversário.
- Verdade, havia me esquecido disso.
- É a demência da idade - Alice gargalhou.
- Alice, vá à merda! - e Bárbara riu também. - Por que você está me ligando tão próximo da última vez que nos falamos? Normalmente nossas ligações são mais espaçadas.
- Você se esqueceu que dia é hoje?

Love, love, love.



- Good morning, sunshine – ele saudou assim que ela abriu os olhos e lhe deu um beijo na bochecha.
- Bom dia – ela disse com a voz grogue de sono. – Quantas horas?
- A hora que você quiser que seja – ele tinha um sorriso enorme nos lábios.
- Meio-dia. Estou morta de fome e já pensando no almoço.
- Então é meio-dia, sunshine.

Sobre mais um dezoito.


Ela respirou fundo e ficou olhando para a porta do outro lado do quarto. Tudo que ela queria era abri-la e dizer o que estava preso na garganta, que lhe tirava o ar e fazia com que respirar ficasse mais difícil. Ela tentou ignorar, mas seus nervos estavam à flor da pele com tudo que estava acontecendo em sua vida ultimamente: ela estava mais sensível, mais carente, chorando com mais facilidade por um café derramado na toalha da mesa. Antes que pudesse decidir, alguém bateu na outra porta.
Layout por Maryana Sales - Tecnologia Blogger